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O Banco Central (BC) diminuiu, pela oitava vez consecutiva, a taxa básica de juros da economia. Com um corte de 0,75 ponto percentual, a Selic está em 2,25% ao ano. O novo patamar, o mais baixo da história, é anunciado em um momento de incertezas políticas e econômicas e deve ajudar a desenhar o cenário dos próximos meses. Mas, afinal, o menor índice de todos os tempos é a salvação da economia brasileira?

Para Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, uma taxa de juros no patamar próximo aos 2% reflete um ‘novo mundo’, mas isso não quer dizer que vá nos tirar do horizonte desafiador. “O Brasil nunca conviveu com uma Selic tão baixa e por tanto tempo. Precisamos ver o que é o Brasil com essa taxa em termos de investimento estrangeiro e de estímulo ao consumo”, diz.

Fernanda pondera que o anúncio do BC acontece em um momento de extrema adversidade, com previsão de recessão econômica recorde. “Esperamos uma queda de até 9% no PIB brasileiro neste ano. De qualquer forma, essa taxa é uma mudança estrutural que precisa de um tempo para ser avaliada”, afirma.

Segundo a economista, os estímulos monetários estão acabando, lembrando que já foi feita injeção de liquidez também via compulsório. Ao menos temporariamente, na prática, os juros devem ficar mais baixos para empréstimos e investimentos produtivos, como maquinário e modernização. Afinal, a Selic nesse patamar é um artifício diretamente relacionado aos estímulos ao consumo.

O problema, contudo, está no restante do contexto. Desemprego em alta, redução da renda e consequente queda no poder de consumo, enfraquecimento da atividade industrial, e até desaceleração da balança comercial são desafios que seguem na pauta em um cenário contornado pela pandemia sem data para acabar.

 

Novos cortes a caminho

 

Segundo a economista, o Copom (Comitê de Política Monetária) deve realizar um novo corte na próxima reunião e a taxa básica ficará em 2% no fim do ano. “Acredito, porém, que esse cenário não terá vida longa. Tão logo o Brasil comece a ensaiar uma recuperação, com a taxa de câmbio em um patamar alto, o BC vai começar a pensar na inflação e realizar um movimento de escalada da taxa”, avalia Fernanda.

Em comunicado, o Copom sinaliza que pode haver mais cortes de juros à frente, dependendo do cenário. "Para as próximas reuniões, o Comitê vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e à recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual".

 

Como fica a inflação?

 

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em maio, o indicador registrou queda de 0,38%, depois de já ter caído 0,31% em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Não acredito que vamos fechar o ano com deflação ou perto disso. Estamos vendo um mês ou outro com esse resultado, mas isso deve voltar a subir. Temos a taxa de câmbio mais alta e os preços de alimentos, que são parte importante da composição do índice, não vão baixar tanto, uma vez que há inelasticidade por ser um setor altamente demandado”, diz Fernanda.

 

O perigo da baixa atratividade para os investidores

 

O investidor estrangeiro sacou R$ 7,4 bilhões da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, no mês de maio. O volume é recorde para toda a série histórica, iniciada em 1994, e reforça um sinal ante a política de juros reduzidos.

Marcel Balassiano, pesquisador da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), afirma que o BC deve ser cauteloso e mais conservador ao baixar a taxa de juros. “O Brasil é um país emergente e não dá para comparar nosso cenário com Zona do Euro, Estados Unidos, Japão e Reino Unido, por exemplo. O prêmio de risco não permite que a gente ultrapasse essa barreira da taxa de juros”, diz.

Para Marcel, essa redução da Selic que vem ganhando forma desde 2016, não tem contribuído como o esperado para a melhora do desempenho do país. “A fraqueza econômica não depende só da queda de juros para ser melhorada. A economia continua patinando desde antes da pandemia do novo coronavírus”, diz.

Por outro lado, segundo Marcel, quando mensurada a incerteza dos investidores em relação a aportar em um determinado país, o Brasil aparece no topo da lista de 20 nações. “Vivemos um momento de incerteza global, mas no Brasil isso consegue ser ainda mais evidente por conta da crise política”, afirma.

 

Hora de olhar para as reformas

 

De acordo com o pesquisador, antes da pandemia, o país ia crescer perto de 3% neste ano. Agora, na avaliação do especialista, a queda deve passar dos 6,5%. “Soma-se a isso o fato de já estarmos em um cenário delicado antes da pandemia. Acredito que 90% dos países terão um desempenho melhor, ou “menos pior” do que o nosso”, diz.

Para ele, a crise do coronavírus veio agravar os nossos problemas anteriores e colocou uma lupa nas nossas maiores fraquezas. “Precisamos voltar para a agenda de reformas urgente”, diz.

 

Um sinal positivo no câmbio

 

Segundo Marcel, o Brasil tem reservas internacionais em um patamar alto e o BC vem intervindo no câmbio, não para mudar a tendência de alta do dólar, mas para não deixar o mercado sair do factível. “As reservas são um seguro importante e ajudam a gente não ser ainda mais impactado pelo cenário atual”, explica o pesquisador.

Ele explica que o câmbio já estava em um nível alto antes da pandemia, mas que se fortaleceu um pouco entre as duas reuniões do Copom, que aconteceram entre maio e junho. “O patamar estava em R$ 5,60 e agora está na casa dos R$ 5,20. O câmbio tem relação direta com o risco e isso quer dizer que houve uma ligeira melhora na percepção, ainda que isso esteja atrelado a indicadores exteriores”, finaliza.

       
       

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