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Vamos concordar que tivemos inegáveis avanços do ponto de vista econômico para o país no último ano. Depois de discussões de mais de vinte anos, a reforma da previdência foi finalmente aprovada, trazendo melhores perspectivas para as contas públicas dos próximos anos – isso é fato. A inflação seguiu bem comportada e ancorada, propiciando um cenário favorável para a queda dos juros que, diga-se de passagem, está em um patamar inimaginável há bem pouco tempo. Os indicadores econômicos divulgados nos últimos meses apontam para uma recuperação, ainda que lenta e gradual, da atividade econômica. Isso é fundamental para que seja possível minimizar um dos maiores problemas da atualidade: a alta taxa de desemprego. Contudo o crescimento ainda está se arrastando. Mas por quê?

 

Voltando um pouco mais para trás, é inegável afirmar que houve algum crescimento e desenvolvimento nas primeiras décadas dos anos 2000. No entanto quando nos comparamos a outros países em situação semelhante, ou seja, estamos falando aqui dos demais emergentes, o crescimento brasileiro foi, muitas vezes, menor ou igual ao deles. Além disso, vale lembrar que, naquela época, o contexto externo era de bonança, o que ajudou a empurrar também os países emergentes para frente.

 

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Agora, andando um pouquinho mais adiante, notem como o país cresceu muito e robustamente entre os anos de 2010 e 2014. Contudo tivemos uma grande redução no nosso nível de investimento em infraestrutura e esse talvez tenha sido o principal responsável pela grande crise que enfrentamos nos anos subsequentes e da qual estamos tentando sair agora. A falta de investimentos somada ao aumento da demanda interna e dos gastos públicos, nos levou a uma crise tão profunda, que ainda estamos tentando nos recuperar.

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O mar é cheio de imprevistos e para a jangada seguir seu caminho é preciso cautela, cuidado e uso correto dos instrumentos. Assim, temos que olhar o ano de 2020 dentro do contexto que vivemos nos anos de 2014 e 2015. Em outras palavras, a recuperação é lenta, basicamente, porque a crise foi muito grande. Simples assim. Lembrem-se de que o PIB chegou a cair mais de 4% em um dos piores momentos da crise.

 

 

 

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Então, caros leitores, vamos seguir devagar, como o navegar de uma jangada remando contra a maré. A perspectiva de melhora na política fiscal, em particular no que diz respeito à capacidade de manter a regra do teto dos gastos, é um dos principais desafios para que tenhamos um crescimento econômico mais consolidado nos próximos anos. Ou seja, o andamento das reformas (veja especial anterior –  Vamos falar sobre as reformas?) será fundamental para que o país possa voltar a crescer de forma consistente. Vamos trabalhar!

 
       
       

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