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ESPECIAL: O rivotril do/no Brasil
 

Ouço frequentes questionamentos de clientes sobre a possibilidade de um ataque especulativo à nossa moeda, a depender dos resultados das eleições. Recebo também perguntas sobre as perspectivas do Brasil, após as eleições.

E diante da estatística oferecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de que cerca de 9,3% dos brasileiros apresentam os sintomas de ansiedade crônica, colocando o Brasil como um dos países com maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo, já ofereço resposta a uma das perguntas, antes mesmo de mostrar dados: acho muito pouco provável um ataque especulativo no mercado brasileiro.

É verdade que nossa moeda já desvalorizou 25% neste ano até o momento, e o risco-país do Brasil aumentou em 40% nesse mesmo período, refletindo uma incerteza eleitoral bastante atípica. Mas, acreditem, meus amigos, já vivemos em situações mais perigosas. O Brasil já esteve bem doente, e agora, embora longe da saúde nórdica, temos condições e bons fundamentos para aguentar trancos e nos defender de uma eventual saída de fluxo financeiro estrangeiro.

Vejam só, no início dos anos 2000, o país estava tentando ser consertado, passando por inúmeros tratamentos, e enfrentamos uma eleição presidencial com elevado grau de incerteza. Naquele período, no auge da campanha eleitoral, nossos fundamentos externos acusavam um alto déficit em conta corrente, baixo nível de reservas internacionais, inflação vergonhosa e taxa de juros de dois dígitos; cenário bastante diferente do atual – tabela acima. Só por esses números, nosso nível de ansiedade deveria baixar.

E digo mais! Nos últimos meses vimos nossos companheiros emergentes, Turquia e Argentina, passando por dificuldades e afetando os colegas. Adivinhem? Fundamentalmente, sobretudo nos quesitos citados acima, também ganhamos de lavada (#brasilémais). De fato, nos destacamos em déficit em conta corrente e no nível de reservas, além de uma inflação bem controlada. Consequentemente, tanto a desvalorização da moeda quanto o risco-país do Brasil mostraram performance melhor que Turquia e Argentina. Verdade que não melhor que África do Sul, que, embora tenha fundamentos piores que o nosso, não passa pelas incertezas eleitorais que estamos vivendo (e que ainda bem está acabando!).
Contudo, alerto que antes que saiam por aí rasgando receitas de ansiolíticos e hasteando bandeiras do Brasil no quintal, as coisas não estão tão belas assim. Vamos à questão 2: nesses mesmos quadros acima, podemos notar que o nível da taxa de desemprego não anda nada animador, e pior, o Brasil está pecando (e muito) no quesito fiscal. A fragilidade fiscal é urgente. Sem resolver esse tema, não haverá crescimento.

Teremos o quinto ano seguido de déficit nas contas fiscais — nunca antes na nossa história isso ocorreu. O problema está no crescimento das despesas e na dificuldade de reduzi-las, sobretudo as despesas como salários e benefícios previdenciários, que representam cerca de 90% dos gastos totais.

Ou seja, para fazermos o ajuste, será exigida enorme disciplina nas despesas, com reforma da Previdência, redução de subsídios e, quem sabe, aumento de impostos. Repito: sem resolver o tema fiscal, será difícil o país voltar a crescer e reduzir a taxa de desemprego. Nossos colegas emergentes já soaram alertas, e a robustez das contas externas não será remédio suficiente caso o ajuste fiscal não ocorra. De nada serve estarmos protegidos de um ataque especulativo, mas incapacitados de progredir.

Uma vez, li que o brasileiro é o povo mais otimista e mais ansioso do mundo. E de tanto pensar no futuro, esquecemos de agir no presente. Concordo. É... talvez só rivotril mesmo...
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?
Vitória antes do tempo?



CAUSA: Longe de mim jogar pragas; mas esse canto de vitória das eleições antes do tempo ecoado pelo mercado, sei não... Essa ideia, aparentemente já “rumorizada” no mercado na semana passada, ganha força a partir da pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta tarde, mostrando que Bolsonaro segue forte nas pesquisas e está com 27% das intenções de voto. Embora ele eventualmente perderia no segundo turno para Haddad, a pesquisa mostra um dado interessante: quase metade (44%) dos pesquisados acreditam que Bolsonaro ganhará as eleições, independentemente do seu voto.

Deixando as eleições de lado, o Banco Central Americano (Federal Reserve, FED) aumentou a taxa de juros para a faixa entre 2% e 2,25% a.a., conforme esperado. Na minha visão, mesmo que o mercado tivesse uma leitura do comunicado de altas adicionais — e, portanto, sugerisse diminuição do diferencial de juros —, a Ata do Copom de ontem mostrou um tom mais duro por parte do BC brasileiro, mais hawkish, sugerindo aumento da Taxa Selic no curto/médio prazo. Ou seja, um movimento neutralizaria o outro.

CONSEQUÊNCIA: Assim, voltamos a ignorar temas macroeconômicos e focamos somente nas eleições presidenciais. O mercado está nesse momento de fortalecimento do real porque está colocando como maior possibilidade a eleição do candidato Jair Bolsonaro, uma vez que entende que este tem maior inclinação reformista e também porque não quer voltar aos mesmos erros cometidos pelo governo PT. Porém, tenho dificuldade de dar como certo esse cenário; muita água ainda pode rolar por debaixo dessa ponte... Será?
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
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Você perguntou, nós respondemos:
Quais fatores influenciam a taxa de câmbio?


De todos os temas da macroeconomia, é consenso entre economistas que a taxa de câmbio é o mais difícil. Os analistas teimam em fazer projeções e erram mesmo. Erram feio. Certa vez, calculei a taxa de erro médio do consenso de mercado versus o ocorrido nos últimos 7 anos e vejam: com uma antecedência de 1 ano, o mercado errou em média 45 centavos o resultado da taxa de câmbio. Com 6 meses de antecedência, o erro médio caiu para 0,25 centavos; e alcançou 0,10 centavos com antecedência de 3 meses — valor que, ainda assim, meus amigos, pode fazer muito estrago em um balanço de empresa. Mas quer saber? É superaceitável.

Tudo isso porque, em um regime de taxa de câmbio flutuante como o nosso, os determinantes da taxa de câmbio são muitos, e alguns deles são abstratos. Usualmente, os economistas entendem que três principais fatores são importantes para determinar o patamar da taxa de câmbio de um país, sobretudo os exportadores de commodities. São eles: os preços internacionais das commodities, o diferencial das taxas de juros locais e internacionais e o prêmio de risco do país.

Preços das commodities: há uma correlação inversa entre os preços das commodities – que são decididas no mercado internacional – e as taxas de câmbio de países exportadores desses produtos. A influência dos preços das commodities sobre os termos de troca desses países (relação entre o valor das importações e o valor das exportações) tende a alterar a atratividade dos ativos, impactando a moeda nacional via mudança no fluxo de capitais.

Diferencial das taxas de juros: quanto maior a diferença entre as taxas de juros dos países emergentes às economias maduras, maior será a atração de capital de curto prazo e menor a taxa de câmbio. Basicamente, o racional é que vale a pena correr mais riscos nos países emergentes quando o prêmio dos ganhos (os juros) é muito maior do que aplicar o dinheiro em um país com risco baixo e com baixíssimo retorno — aliás, é por isso que quando há um movimento de queda de taxa de juros no Brasil, combinado a aumento da taxa de juros dos EUA, ocorre o famoso “flight-to-quality”, ou fuga de capital para mercado de maior qualidade e maior segurança.

Risco-país: Diz respeito à possibilidade de mudanças no ambiente de negócios, seja político ou econômico, que impacte negativamente as condições de financiamento do país. Em outras palavras, aqui podemos jogar tudo! Tudo o que for incerteza política ou econômica faz com que aumente o risco-país; tenha, portanto, saída de capital afetando a taxa de câmbio — o inverso é verdadeiro. Vale mencionar que as economias emergentes podem ser impactadas por outras economias emergentes, por efeito contágio.

Em poucas palavras, a taxa de câmbio é definida por fatores locais e internacionais, com pesos que variam conforme a gravidade e incerteza da situação; fora que, no caso brasileiro, o Banco Central tem a prerrogativa de interferir no mercado quando achar que convém — mas deixemos esse tema, também complexo, para um outro momento. Ou seja, não podemos falar sempre que o cenário local é preponderante, como no momento atual, por exemplo. Muitas vezes, o cenário externo fala mais alto. Dessa forma, a taxa de câmbio pode ser resumida como uma variável de percepção de risco. Essa é uma das razões de ser tão volátil e tão difícil de prever. Mas vale opinar, né?

 

 

Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
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Você perguntou, nós respondemos:

Por que a taxa de câmbio é tão volátil no Brasil?



Volatilidade: trata-se da oscilação de uma variável, título ou índice de mercado, ou seja, o quanto o valor desses títulos, índices ou variáveis pode mudar de forma repentina. Quanto mais o preço varia num curto período (sobe ou desce), maior o risco de se ganhar ou perder dinheiro negociando essa variável, e, por isso, a volatilidade é também uma medida de risco.
De fato, os estudos mostram que a volatilidade do Real é maior que de outras moedas. Taxa de câmbio muito volátil dificulta aos agentes saberem o seu valor, mesmo num futuro muito próximo. Mas, e por que isso?

Já vou avisar que essa não é uma pergunta fácil de ser respondida, mesmo porque, aqui trata-se quase de crença. Mesmo assim, vou dividir a minha opinião, que está inclusive baseada no artigo de uma amiga, ex-colega de trabalho, a quem respeito muito.

Há duas possíveis explicações individuais ou combinadas:

(1) o Brasil é um país fechado. Já ouviram falar que toda a fama tem seu preço? Pois bem, essa relação se aplica nesta questão.
O indicador mais usual para medir o grau de abertura de uma economia é a soma das exportações e importações de bens e serviços como proporção do PIB. Esse percentual atingiu 24% em 2016/2017, nos colocando apenas à frente do Sudão no ranking dos países mais fechados do mundo. O Brasil apresentou superávit de US$ 67 bilhões no ano passado e foi o 27º importador mundial, embora sejamos a oitava economia do mundo. Dessa forma, é necessária uma variação importante da taxa de câmbio brasileira para mudar o dinamismo da balança comercial, pois proporcionalmente ao tamanho do Brasil e em relação ao resto do mundo, o setor externo é pequeno.

(2) Já ouviram falar que toda a fama tem seu preço? Pois bem, essa relação se aplica nesta questão. O Brasil, dentre os emergentes ex-asiáticos, é um dos mais líquidos (facilidade com que um ativo pode ser convertido em dinheiro), portanto, uma das principais escolhas de alocação de capital estrangeiro. O mercado financeiro do Brasil, embora longe dos patamares negociados nos EUA ou Inglaterra, se destaca em volume de negócios entre os emergentes. Por exemplo, no Brasil há cerca de 340 empresas abertas, enquanto no mercado americano são mais de 4300. Mas temos muito mais quando comparado com nossos vizinhos latinos, até mesmo o Chile – vejam figura ao lado. Assim, quando ocorre a escolha de diversificação de portfólio, o Brasil geralmente está entre os escolhidos, aumentando o volume de entrada de capital. Por outro lado, ao estar sob os holofotes dos mercados, quando temos alguma notícia/ expectativa ruim, o volume de saída também é alto. Assim, a volatilidade da taxa de câmbio aumenta.

Eu acredito que a combinação dessas duas teses gere o vai e vem da taxa de câmbio, e que essa situação não mudará tão cedo. Então, seguiremos trabalhando com instabilidade, e essa autora que vos fala, seguirá tentando mostrar o melhor caminho possível diante de cenário e variáveis tão obscuros.

Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?

Quando a esmola é demais, o santo desconfia


CAUSA: As pesquisas eleitorais estão ficando mais claras, situação esperada dada a proximidade das eleições. As estatísticas nos mostram que o segundo turno muito provavelmente será entre Jair Bolsonaro, candidato de direita, e Fernando Haddad, representando a esquerda. Aparentemente, os mercados estão dando como certa a vitória do candidato de direita e realizando os lucros.
Mas a verdade é que não consigo enxergar motivo para tanta comemoração. Mesmo seguindo a lógica dos mercados segundo a qual Bolsonaro seria melhor que Haddad, as pesquisas não mostram vitória clara desse candidato. E mais: Haddad tem ganhado força, pesquisa a pesquisa, e há dúvidas sobre a condição física de Bolsonaro para a lida da campanha no segundo turno. Por fim, o fluxo cambial financeiro segue bastante negativo.

CONSEQUÊNCIA: A verdade verdadeira é que não encontro motivo suficiente que justifique a valorização do real dos últimos 3 dias. Sei não... me parece esmola demais. Posso estar demasiada cética, mas ainda acho que há espaço para a taxa de câmbio encontrar patamares mais próximos a US$/ R$ 4,20 durante a campanha eleitoral.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?

Dá-lhe tarifa!


CAUSA: Em mais um capítulo da guerra comercial, os EUA chamaram a disputa para si, e anunciaram uma nova rodada de tarifas contra os produtos importados da China. Já valendo para os próximos dias, haverá tarifa de 10% sobre US$ 200 bilhões em produtos do país, e esse percentual subirá a 25% no início de 2019.
E tem mais: Sr. Trump já deixou claro em seu Twitter que, caso haja retaliação da China, haverá espaço para adicionais US$ 267 bilhões de produtos chineses!
Devemos ficar atentos, porque acredito que esses “rompantes” possam acontecer mais vezes, e nem sempre com mira na China. Além disso, esses movimentos comerciais acabam afetando toda a lógica comercial mundial; ou seja, sobra para todo o mundo – literalmente.

CONSEQUÊNCIA: Porém, não consigo afirmar que a taxa de câmbio brasileira esteja respondendo a essa ação, embora saibamos que normalmente responderia. É verdade que o dólar se fortaleceu ante outras moedas, mas por aqui o tema que está falando mais alto são as eleições presidenciais. Então, acredito que o mercado está nesse sobe e desce, esperando a nova pesquisa Ibope, com divulgação agendada para hoje.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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ESPECIAL

Trabalhamos com volatilidade



É verdade que dentre todas as variáveis macroeconômicas, a taxa de câmbio é a mais difícil de prever. Contudo, de todas as histórias da taxa de câmbio flutuante, uma coisa que conseguimos afirmar é que o patamar atual não será uma constância.
Nós brasileiros vivemos em um país com uma característica marcante: a alta volatilidade na taxa de câmbio. Quanto maior a incerteza econômica e política, maior será a volatilidade. E acredito que um dos maiores períodos de incerteza ocorram em eleições presidenciais, sobretudo aquelas com probabilidade de mudança de pensamento econômico do governo em um ambiente internacional bastante controverso — que é exatamente o nosso momento.
Atualmente, há um mix de mau humor com excesso de protecionismo comercial — guerra comercial travada entre EUA e China —, que tem respingado em outros países; há questões econômicas de Turquia e Argentina que aumentam o risco país de todos os emergentes por efeito contágio; e, acima de tudo, há eleições presidenciais.
A combinação dos possíveis resultados desses fatores pode mudar radicalmente os preços dos ativos no Brasil, sobretudo a taxa de câmbio. De fato, neste ano, já tivemos uma desvalorização da taxa de câmbio de mais de 25%, e em termos reais, a taxa de cambio está cerca de 30% acima da média histórica.
Podemos afirmar que um cenário de presidente que queira fazer as reformas necessárias no país (i.e., previdência, política) e com condições políticas de realizá-las, ou seja, com governabilidade, seria bastante benéfico para a percepção de risco do país, gerando espaço para a taxa de câmbio devolver toda alta (ou mais) observada neste ano.
Um candidato menos reformista e sem governabilidade poderia inclusive piorar a percepção de risco do Brasil, dando espaço para adicional depreciação do real no curto prazo. Por exemplo, no período pré-impeachment da Dilma (em 2015), em que tivemos alto grau de incerteza, a taxa de câmbio bateu US$/ R$ 4,17, que a preços de hoje equivale cerca de US$/ R$ 4,50.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?

Valendo dinheiro: Quem vai para o segundo turno?



CAUSA: Há motivos para preocupação, sim, e os mercados estão refletindo isso. As pesquisas eleitorais para presidente estão mostrando que o segundo lugar para o segundo turno está muito incerto, e com possibilidades diversas – tem candidato para tudo quanto é gosto! É verdade que o aumento na taxa de juros na Turquia (até que enfim!) e na Rússia deveria ajudar as moedas de países emergentes a ganhar força, mas no Brasil, as razões locais falam mais alto; e será assim até início de outubro, ou até que as pesquisas mostrem resultados mais claros. Adicionalmente, o fluxo cambial financeiro está negativo desde o final de julho — o que coincide com o início do período eleitoral —, dificultando alguma possibilidade de valorização do real.

CONSEQUÊNCIA: O real não tem força para valorizar e seguir o movimento de outros emergentes. Descolamos. Então, se o Banco Central não intervier no mercado, enquanto não houver definição do segundo turno, o mercado deve testar o patamar de US$/ R$ 4,20, com viés de alta.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?

Brasileiro é proibido gostar de rotina



CAUSA: Está bem emocionante tudo isso, não? Brasileiro não pode gostar de rotina; isso é coisa de país desenvolvido. Por aqui temos: indecisões acerca de um presidiário concorrer ou não à presidência da república; maioria de intenções de votos para candidatos com maior índice de rejeição; candidatos que pareceriam estar fora da competição ganhando “momentum”; e, para finalizar, tivemos atentado à vida de um dos presidenciáveis. Ah, não é pouca coisa não, pessoal! Isso porque ainda temos mais quase 4 semanas até o primeiro turno das eleições — o que será que ainda pode acontecer?
As pesquisas eleitorais que representam em números tudo isso citado acima, não têm agradado ao mercado: a pesquisa DataFolha divulgada ontem reforçou a resiliência do candidato Bolsonaro, com o antirreformista Ciro Gomes na segunda posição, e mostrou um considerável avanço de Haddad.

CONSEQUÊNCIA: Não há taxa de câmbio que aguente, e voltamos a beliscar o patamar de US$/R$ 4,17. Vou terminar aqui com a mesma frase do relatório de 29/ago. (Sim, com eleições começamos a ficar repetitivos): as incertezas permanecem (e aumentam!) e a taxa de câmbio segue pressionada — olhem só, no período pré-impeachment da Dilma (em 2015), quando tivemos alto grau de incerteza, a taxa de câmbio bateu US$/ R$ 4,17, que a preços de hoje equivale cerca de US$/ R$ 4,50, #ficaadicapelasegundavez.
Fernanda Consorte
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Você respondeu e nos te ouvimos!

Nosso quiz mostrou que a maioria quer saber o efeito da taxa de câmbio na inflação. Segue a resposta de nossa estrategista de câmbio, Fernanda Consorte.



Espero que goste! Obrigado!
Você perguntou, nós respondemos:
Efeito da Taxa de Câmbio na Inflação



Vamos combinar uma coisa? É muito chato chegar em uma conversa na qual o interlocutor está falando de causalidades e relações entre situações que não entendemos. É igual tentar contar piada em outro idioma que não o seu de criação.E economistas são cheios dessas gracinhas. Basta a taxa de câmbio começar a subir que esses “seres” começam a pipocar notícias de jornais com frases como “real desvalorizou, agora a taxa de juros vai ter que subir” — um clássico — ou “ociosidade da economia contém impacto do dólar nas expectativas de inflação”. Oi? E nessa hora, a gente fica com aquela cara de intelectual que entendeu tudo, não? À primeira vista parece que não, mas acredite, essas frases fazem muito sentido. Basicamente, porque a inflação responde às variações na taxa de câmbio — e no caso brasileiro, responde muito (!).


Explico. Vamos considerar como indicador de inflação o IPCA (índice de preços ao consumidor, calculado pelo IBGE), alvo das metas de inflação. O IPCA é dividido entre preços administrados, aqueles ajustados por algum regulador (ex.: energia elétrica, ônibus, água e esgoto) e representam 26% do índice total. O restante (74%) da cesta de produtos dentro do IPCA são os chamados preços livres. Desses, 41% referem-se aos preços não comercializáveis, que são basicamente os serviços (manicure, restaurantes, etc.), e 33% são os bens comercializáveis, ou seja, bens que são passiveis de importar e exportar, como alimentos, veículos, roupas, etc. — e é nesta cesta de produtos que a taxa de câmbio tem efeito direto.

Me acompanhe: se você for comprar um carro, seja ele produzido fora do Brasil, seja ele produzido com algumas peças importadas, quando temos uma mudança na taxa de câmbio, os contratos de importação desses insumos serão reajustados a nova taxa quando houver novos pedidos. E cada produto tem sua cadeia e tempo de produção, por isso, o efeito da taxa de câmbio nos preços só acontece quando a desvalorização/valorização ocorre e muda o patamar do valor da moeda. Desta forma, importante ter em mente que (i) volatilidades diárias e por curto período não costumam afetar a inflação, e (ii) o efeito não é imediato: toma o tempo da cadeia de produção e venda, ou seja, o efeito dos movimentos da taxa de câmbio na inflação tem defasagens.

Finalmente, também existe o efeito “aceitação” ou efeito demanda. Se a economia estiver forte, crescendo, é muito mais fácil repassar os preços de aumento do custo de produção; no cenário oposto, num ambiente de economia ociosa, o repasse tende a ser menor. Assim, o efeito da taxa de câmbio na inflação é maior conforme o ritmo do crescimento econômico.

Vamos aos números? O repasse do câmbio para inflação é estimado em 6% a 8%, ou seja, para cada 10% de desvalorização do real (aumento na taxa de câmbio), há um aumento de 0,6 - 0,8 ponto percentual no IPCA em até 12 meses — vale lembrar que alguns preços administrados também sofrem influência da taxa de câmbio, como energia elétrica, e esses têm reajustes anuais. Assim, a desvalorização do real de 25%, observada desde janeiro/18, deve impactar a inflação em até 2 pontos percentuais nos próximos meses, mas vamos lembrar que o PIB está com crescimento baixo, então algo pode ficar para trás... Mas, mesmo assim, é bastante coisa...
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?
Esta semana pode ser decisiva, viu!?



CAUSA: Foi avisado. Igual aquelas frases chatas e preditivas de mãe antes de nos machucarmos. Mas, infelizmente, temos alertado desde o fim de julho que o período eleitoral não seria fácil. É muita incerteza junto: quem vai para o segundo turno? Quem é candidato a presidente do PT? Lula pode aparecer na TV? – e, para piorar, nossos vizinhos argentinos não estão ajudando, e os EUA seguem com suas diferenças comerciais, e, desta vez, o escolhido foi o discreto Canadá. O fato é que, quanto maior a incerteza, maior o preço sobre a sociedade, e pior para os preços dos ativos. Contudo, estamos em uma semana que pode ser decisiva em termos do cenário eleitoral: de um lado, o TSE barrou as propagandas com Lula de protagonista, possivelmente fazendo com que o PT deixe claro Haddad como candidato. De outro lado, a semana se encerra com as aguardadas pesquisas de intenções de voto, após o início da propaganda na TV e no rádio (maior fonte de decisão de voto do eleitorado).

CONSEQUÊNCIA: A combinação de cenário interno nebuloso e uma “pitada” de mau humor internacional não sugere nenhum alívio para a taxa de câmbio nos próximos dias. A semana é curta, então, se a próxima pesquisa não sair em dia e horário de pregão (está agendada para próximo dia 6, quinta-feira), a reação (boa ou ruim) do mercado só acontecerá na próxima segunda-feira mesmo... Será que se chorarmos alto, o BC aparece de novo?
Fernanda Consorte
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