Prólogo

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.

 

 

CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?

No news is good news

 

 

No news is good news

CAUSA: O Fed (Federal Reserve – Banco Central dos EUA) decidiu por manter a taxa de juros inalterada no intervalo de 1,75% a 2% a.a. Da mesma forma, o comunicado também reforçou as expectativas de que haverá mais duas altas na taxa de juros de 0,25 ponto porcentual — uma em setembro e outra em dezembro —, chegando à faixa de 2,25% a 2,50%.
No news, good news. Cabe agora aos analistas estimarem os possíveis impactos da política comercial do Trump (o que de fato se concretizará ou o que será somente falatório), e avaliar se a política monetária americana necessitará de ajustes de percurso.

 

CONSEQUÊNCIA: A taxa de câmbio, como variável de risco, agradece a ausência de novidades (news), e não deveremos ver nenhuma grande oscilação ou inversão de tendência na moeda brasileira, testando o intervalo recentemente observado (entre US$/ R$ 3,72 – 3,76). Contudo, ainda não é hora de relaxar: estamos iniciando agosto; acabou o recesso parlamentar; logo, logo, começaremos de fato a campanha eleitoral e acredito que teremos dias de turbulência à frente.

 

 

 

Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Prólogo

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou galinha.

 

 

ESPECIAL: A velha história “do depende”: eleições e o Real

 

 

Não esperem ler aqui contas mirabolantes, com modelos arrojados explicando e fingindo determinar com arrogância como estará o cenário brasileiro em determinada janela de tempo. Seja por ceticismo ou por preguiça, a vida tem me mostrado que diversos relatórios econômicos são espelhos do senso comum. Contudo, em defesa dos meus colegas de formação, preciso dizer que aquela piada célebre em relação à primeira palavra mencionada nas respostas dos economistas – o depende – é de fato, em várias ocasiões, muito correta e não somente oportuna.

 

Além disso, meus amigos, temos que reconhecer que a economia é cíclica e, portanto, o passado costuma ser um excelente guia para futuro. Notem que asdepende01 img personificações de sábios são sempre velhinhos encurvados de cabelos brancos. Brincadeiras à parte, o que o passado nos mostrou é que, em períodos de eleições presidenciais, a volatilidade do mercado aumenta muito, justamente porque as incertezas e debilidades do país ficam escancaradas, e os agentes sabem que os preços podem se estabelecer em diferentes níveis a depender do resultado das eleições. 

 

Dessa forma, resolvi comparar o desempenho da taxa de câmbio em duas eleições que considero que tiveram um nível importante de incertezas, mas com desenlaces distintos: a de 2002, em que houve troca de “pensamento econômico”, mas com um resultado no curto prazo positivo; e a de 2014, em que a decisão tem sido sentida severamente nos preços dos ativos.

 

A taxa de câmbio costuma dar saltos significativos já no início do ano em que temos eleições presidenciais, ou seja, o mercado costuma antecipar os movimentos com base nas informações disponíveis. Por exemplo, em 2002, havia um temor de ruptura muito grande por parte dos mercados, uma vez que o sentimento já era de que o PT, Partido dos Trabalhadores, com um discurso de maior intervenção estatal e, portanto, menos pró-mercado, teria grandes chances de ganhar as eleições. De fato, a cotação média da taxa de câmbio seis meses antes da campanha eleitoral foi de cerca de 7% acima do nível de janeiro daquele ano, e o real seguiu se desvalorizando, a ponto de a média observada durante a campanha eleitoral ter sido 35% acima dos seis meses anteriores.

 

Em 2014, o Brasil se percebeu altamente polarizado em relação às condutas econômicas e políticas e, da mesma forma, a taxa de câmbio — como uma variável também de medição de risco de um país — sofreu no período. Contudo, a desvalorização foi muito menor por conta da saúde financeira das contas externas do país, de tal forma que permitiu ao Banco Central injetar liquidez no mercado através dos chamados swaps cambiais (a média da cotação da taxa de câmbio durante a campanha eleitoral foi 3,5% acima dos seis meses anteriores).

Hoje, a um passo da campanha eleitoral, a taxa de câmbio média entre fevereiro e julho de 2018 já se desvalorizou cerca de 10% em relação a janeiro, mesmo com presença maciça do BC no mercado – sabemos que houve “uma pitada” de mau humor com a greve dos caminhoneiros, mas o fato é que o grau de incerteza atual não difere muito dos observados em 2002 e 2014.

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Finalmente, e o que interessa: o que ocorreu depois? No caso de 2002, um ano após o ex-presidente Lula ter enviado a “Carta aos Brasileiros” e nomeado Antonio Palocci como ministro da Fazenda, sendo abençoado com uma onda de crescimento global, a taxa de câmbio já havia se valorizado mais de 10% em relação ao período de campanha eleitoral. No caso oposto, a reeleição de Dilma Roussef, com ministro da Fazenda correndo do posto e rumor de impeachment, a mesma taxa de câmbio se desvalorizou um extra de quase 70%.

E agora, José? O que esperar dessa vez? Bom, meus amigos, a resposta é: depende. Sim, dependemos, e muito, dos resultados das eleições presidenciais. O mercado é um rapaz mimado, que reage mal quando contrariado, ou até que provem o contrário, como ocorreu em 2002. Mas ele também é ingênuo e se deixa levar por efemérides (vide o episódio recente do anúncio do Centrão apoiar o PSDB, o real valorizou quase 2%, entre 19 e 20 de julho). E o que o mercado quer (e que curiosamente coincide com o que o país precisa) é de um candidato reformista e com governabilidade.

 

Dessa forma, aos olhos de hoje, pelo que os candidatos estão falando por aí, o mercado tem sugerido que: PSDB e Centrão ocupando a salão oval tupiniquim, apesar de possíveis tropeços, devem sugerir valorização de dois dígitos na moeda brasileira ao longo de 2019. No sentido oposto, outra (forte) rodada de desvalorização do real deve ocorrer se o PDT, PT ou qualquer outro candidato mais à esquerda conquistar os corações brasileiros, que já estão cansados dos mesmos rostos subindo a rampa do planalto (não que o Ciro seja um rosto novo). O resultado Bolsonaro é um pouco nebuloso e deixará o mercado receoso, justamente porque teríamos novamente um presidente sem governabilidade imediata; assim, a volatilidade dos preços observada durante a campanha não deve diminuir significativamente.

 

O que eu posso afirmar, com certeza, é que teremos semanas intensas pela frente. Dada a largada para as pesquisas eleitorais, aguenta volatilidade por aí! ...   

 

 

Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Prólogo

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro, o ovo ou galinha.

 

 

CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?

TODOS CONTRA O INTERVENCIONISMO

 

 

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CAUSA: O presidente americano, Donald Trump, tem deixado claro suas intenções protecionistas desde sua candidatura. Essas intenções já viraram ações (taxaram a China em US$ 34 bi e prometem adicionais US$ 200 bi (!!!)). É verdade que ontem houve um importante avanço no diálogo comercial entre EUA e União Europeia (UE), o que é positivo e um contrassenso em relação aos comentários quase diários de Trump de medição de força contra o mundo.

Nesse sentido, diversos países parecem empenhados em mostrar o quanto o livre comércio é benéfico às nações; e têm traçado e reafirmado acordo interpaíses. Destacamos o acordo UE-Ja

pão de praticamente zerar as tarifas em alguns anos. No mesmo sentido, essa semana presidentes da Aliança do Pacifico1 e do Mercosul2 assinaram uma declaração de integração comercial na América Latina, e ontem, em uma reunião do BRICS3 a China pediu apoio ao seu favor na guerra comercial travada com os EUA.      

CONSEQUÊNCIA: Notícia boa (ou boa intenção) vinda das gringas, sugere real valorizado (taxa de câmbio caindo, como queira)... Isso explica boa parte do desempenho da taxa de câmbio nesta semana. Enquanto não vier alguma represália dos EUA em relação a guerra comercial ou alguma notícia bombástica do âmbito político nacional, e salvo momentos de realizações como hoje, não há motivo para forte reversão do movimento. Vamos acompanhar. 

 

 

 

Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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  • 1 - Países Membros: Chile, Colômbia, México, Peru e Costa Rica
  • 2 -Estados Partes: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela (suspensa). Estados Associados: Bolívia, Colômbia, Chile, Equador e Peru.
  • 3 - Países Membros: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
       
       

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