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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?
A corda arrebenta no lado mais fraco



CAUSA: Semana passada, mencionei o movimento de aversão global. Pois bem, ele se intensificou na segunda-feira, e daí, meu amigo, nós meros brasileiros emergentes vimos o real subindo acima de US$/ R$ 3,91. E daí?
O Banco Central chamou dois leilões de linha com oferta total de US$ 2 bilhões (venda de dólar no mercado à vista, a partir das reservas internacionais. Entretanto, os dólares têm de ser devolvidos ao BC nos meses seguintes. Durante esse período, ficam no mercado, melhorando a liquidez). Embora leilões de linhas não tenham uma relação clara com contenção de variações cambiais, como o swap cambial, sugerem que o BC está atento e disposto a agir. Lá fora, há uma certa expectativa positiva sobre a reunião entre Trump e Xi Jinping prevista para a próxima sexta-feira, com o intuito de amenizar a “guerra comercial”.

CONSEQUÊNCIA: Com isso, voltamos ao patamar mais próximo a US$/ R$ 3,85 (ufa!), que faz mais sentido com os atuais fundamentos externos, enquanto não vemos nenhuma ação do novo governo – e nem daria, porque ele ainda não começou, e estamos num momento sazonalmente desfavorável para isso: quase férias no legislativo. Ou seja, até janeiro/fevereiro (para não falarmos do carnaval) estaremos ao sabor do mercado internacional, e daí, meu amigo, importante lembrar que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
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ESPECIAL: Resoluções/expectativas 2019

Atire a primeira pedra quem nunca pensou em ler a sorte, consultar o horóscopo do dia num dia de maior aflição. Essa época do ano, então, é ainda mais propicio. Suponho que se fizéssemos uma análise do negócio “numerólogos, astrólogos e afins”, chegaríamos à conclusão de que o fim de ano é sazonalmente mais favorável. Eu que não fujo à regra, fui dar uma olhada no que o ano 2019 me/nos espera e notei que o número de 2019 será “regido” pelo 3: 2 + 0 + 1 + 9 = 12; 1 + 2 = 3.

Diante disso, resolvi usar esse número regente para compartilhar 3 resoluções/expectativas econômico-políticas que nosso Brasil merece para 2019. Antes, uma pequena introdução do que tenho percebido das condições atuais.

Encerramos 2018 com um sentimento de aversão ao risco global, com muitos conflitos econômico-políticos ao redor do mundo, como guerra comercial entre EUA e China causando expectativa de desaceleração acentuada; Zona do Euro com dificuldades de se recuperar; Brexit; Argentina com sinal amarelo, num mundo com EUA subindo taxa de juros. Tudo isso, junto e misturado, tem causado saída de capital dos países emergentes para os desenvolvidos – lembrem-se, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Contudo, acredito mesmo que se o Brasil concretizar as resoluções/expectativas abaixo, podemos (e vamos!) nos descolar dos emergentes em 2019. A saber:

1. Foco nas reformas fiscais (eu ouvi Previdência?): Há tempos falamos da importância do ajuste das contas fiscais. Teremos o quinto ano seguido de déficit nas contas fiscais. E o problema está no crescimento das despesas e na dificuldade de reduzi-las, sobretudo as despesas como salários e benefícios previdenciários, que representam cerca de 90% dos gastos totais. Assim, o governo que se inicia tem que focar neste tema rapidamente, sendo o número 1 na agenda de prioridades. Sem sinalizar que resolverão o tema fiscal, a confiança dos agentes seguirá abalada e o Brasil seguirá no “balaio” dos emergentes, à mercê da volatilidade internacional;

2. Foco na mudança (promessa é dívida!): A escolha de Jair Bolsonaro para presidente (um rosto e partido diferentes no poder) e o alcance da maior taxa de renovação do legislativo em décadas, em minha opinião, sugeriram necessidade de mudança pela população brasileira. O povo estará de olho nas ações do governo, para ver se a “mudança” de fato chegou. E uma das marcas da campanha do próximo presidente foi a segurança pública. Acredito, portanto, que a população quer ter o sentimento de maior segurança nas ruas.

3. Foco em aumentar infraestrutura (opa, vamos de privatizações?): Estamos cansados de saber que a infraestrutura do Brasil é capenga, sempre estamos em péssimos lugares nos rankings relacionados a esse tema. Sabemos também que o Brasil precisa crescer bem estruturado, e para que a economia brasileira se insira em cadeias de valor, são necessários investimentos em fornecimento de energia, logística de transporte e telecomunicações – temas vitais para o planejamento de investimentos e para a capacidade de competitividade internacional. O país precisa de uma agenda de privatizações e concessões para que o investimento privado se concretize e vençamos os gargalos da infraestrutura.

Tenho certeza de que essas resoluções não são rápidas de ser executadas e implementadas, sobretudo porque a máquina pública gira mais devagar que as aspirações da população e principalmente dos investidores. Mas a inclinação de que estamos no caminho do alcance desses pontos já ajudaria muito para descolarmos dos outros países emergentes e apresentarmos boa performance em 2019. Força, Brasil!

O time de estratégia e todo o Banco Ourinvest aproveita para informar que passaremos essa virada de ano com pensamentos otimistas e com a sensação de que teremos um ótimo ano pela frente. E mais importante: que estaremos sempre à disposição e com as ferramentas apropriadas para ajudar nossos clientes em qualquer cenário. Boas festas e um excelente 2019 para todos nós!
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.

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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?
Climão: Falta de liquidez ou mau humor global?



CAUSA: Sabe aquela sensação de “climão” após alguém soltar uma piada mal colocada no grupo do WhatsApp? Pois então, essa é a sensação dos mercados nesta semana. Os investidores globais estão colocando na conta uma reavaliação dos preços dos ativos globais, diante da combinação da Guerra Comercial entre EUA vs China (e, eventualmente, outro país) e tensões geopolíticas com a evolução do Brexit – ambos eventos sem definição clara.
Há também a dúvida sobre a política monetária nos EUA (continuará subindo os juros ou não?), quando os indicadores econômicos não mostram uma conclusão efetiva.
Para ajudar, o preço do petróleo despenca com a indefinição dos países participantes da OPEP (se vão reduzir a produção de petróleo ou não), contaminando outros preços de ativos.

CONSEQUÊNCIA: Com isso, os investidores globais passaram a reavaliar os níveis de liquidez em 2019 (quantidade de dinheiro disponível no mercado), o que contribui ainda mais para esse climão. Assim, ficamos sem saber se os preços estão reagindo ao medo de falta de liquidez ou a um mau humor com a situação econômico-política. O fato é: o que está pesando nas cotações de dólar nesta semana é esse climão. Nos resta esperar, o tempo cura.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.

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Você perguntou, nós respondemos:

O que é hedge e swap cambial?



Eis aqui o exemplo de complexidade que deveria ser desmistificada nos ambientes financeiros. Para tanto, vamos começar pelo significado das palavras em português. A palavra hedge em inglês pode ser traduzida pelo substantivo de “cerca/ barreira/ proteção” ou pelo verbo de “limitar/ cercar”. Ou seja, somente pela tradução, já podemos supor que quando falamos em hedge cambial, estamos falando em limitar/proteger o montante de câmbio da operação. Assim, a ideia principal quando fazemos uma operação de hedge cambial é diminuir ao máximo a perda de dinheiro com as variações do dólar – sobre a qual falamos diversas vezes ser muito volátil (ver relatório publicado em 08/out/18, em que discutimos o porquê a taxa de câmbio é tão volátil no Brasil) –, em todas as operações em que usamos o câmbio, como importações, exportações, investimentos no exterior e negociações na bolsa de valores, etc...

Para tanto, usamos artifícios do mercado futuro. Antes que pense em cartomantes e astrologia, o que é inevitável, explico que o “mercado futuro” é aquele em que os agentes estimam como estará a cotação do dólar nos próximos meses, considerando a conjuntura mundial naquele momento. Aquele exemplinho que sempre ajuda a iluminar os pensamentos:

Uma empresa exportadora, fabricante de veículos pesados, recebe um pedido para construir caminhões no valor US$ 10 milhões, mas o pagamento só vai acontecer daqui a 10 meses. Para saber qual será o lucro real dessa venda em reais (R$), seria necessário considerar a variação cambial nesse período.
Se der uma “ziquizira” no governo, e o dólar chegar a US$/R$ 4,20 de novo, essa empresa pode garantir o faturamento de R$ 42 milhões. Mas se todas as reformas forem aprovadas rapidamente e a China voltar a crescer (vai que...) e o dólar for para R$3,00, a receita passará a ser de somente R$ 30 milhões. Para evitar essa adrenalina, a empresa faz um planejamento de Hedge. Ou seja, busca no mercado financeiro interessados em pagar um valor fixo na moeda pelos próximos dez meses. Assim, ela garante o preço de venda, evitando possíveis perdas de dinheiro. Pegou?????

Mas veja, esse mercado é sofisticado e há diversos instrumentos (de derivativos). A combinação desses instrumentos permite a montagem de diversas operações de hedge. Vou citar alguns deles, mas já antecipo que o famoso swap cambial estará na lista:

Opções de compra de dólar (call): Uma opção de compra que garante o direito de comprar um ativo a um preço determinado antecipadamente. Para isso, paga-se uma fração do montante (o prêmio) e o portador pode exercer esse direito até um determinado dia. Se ele não exercer sua opção, perde o valor do prêmio. A vantagem aqui é que essa operação exige menos dinheiro para fazer seu hedge.

Contratos futuros de dólar: São contratos fechados entre um comprador e um vendedor, através da Bolsa de Valores ou bancos. Esses contratos acompanham a oscilação do dólar no mercado à vista. Se o dólar subir, o comprador do contrato vai receber do vendedor o equivalente em reais a essa variação, dia a dia. Quando o contrato vencer, a soma das variações deverá compensar a variação do câmbio. Do mesmo jeito que o anterior, há menos dinheiro envolvido no início da operação, no entanto, esse tipo de hedge tem um custo. A B3 exige que o investidor deposite garantias em dinheiro ou títulos para poder operar, o que eleva a quantidade de dinheiro necessária para se fazer o hedge.

Swap Cambial (olha ele aí!!!!) : Em inglês significa troca, permuta. Assim, indica uma operação pela qual duas empresas concordam em “trocar” dívidas. E é parecido com o exemplo anterior, e equivale uma venda futura de dólares.
Por exemplo, uma importadora (empresa 1) endividada em dólares faz um swap de moedas com um banco (empresa 2): A importadora deve pagar essa dívida ao mercado considerando a variação cambial no período somada a uma determinada taxa de juros. Nesse caso, a importadora está devendo em dólares no exterior (exposta, portanto, a variação cambial), então para zerar o risco dessa exposição, a empresa troca variação cambial por uma taxa de juros em reais junto a um banco no brasil.
O banco tem de pagar o equivalente em dólares ao valor contratado do swap. Se a cotação do dólar subir além do esperado, o aumento da dívida da empresa será coberto pelo que o banco pagará à importadora.

Gostou, né? Quer saber mais? Não é para me gabar não, mas nós aqui, no Banco Ourinvest, somos campeões nesses instrumentos de derivativos. Sugiro nos ligar!
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.

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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?
Enquanto seu (nome) não vem...



CAUSA: Semana ruim para os mercados locais devido a: (1) ausência de mais confirmações de nomes para cargos no próximo governo (e nem o Levy no BNDES foi suficiente para amenizar essa pressão, pois o mercado quer mais, sempre mais – ô rapaz mimado!) e (2) sinalização de postergação da reforma da Previdência para 2019 (naive quem tinha esperanças de que no soar do Jingle Bells tivéssemos uma aprovação tão complexa, mas como ando me surpreendendo, melhor não falar alto...).
Para hoje, ainda esperamos anúncio do ministro das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Meio Ambiente, mas ainda falta o mais importante: o presidente do BC; quem assumirá a Câmara e o Senado (mandatório em um momento de necessidade vital de reformas).

Lá fora, o petróleo ajusta após mais de dez dias seguidos de queda. China mostrou dados mistos, com indústria acelerando em outubro, mas varejo com menor avanço nos últimos cinco meses. E a Europa de olho no desenrolar do Brexit. E já ocorre uma ligeira aceleração da inflação americana. Nada muito auspicioso para emergentes.

CONSEQUÊNCIA: Com isso, o dólar segue ao sabor do cenário internacional (esses ~US$/R$ 3,8), enquanto não temos “boas notícias” no cenário local – leia-se nomes que promovam maior articulação no Congresso e continuidade do bom trabalho no Banco Central. Temos que esperar enquanto o homem/nome/pessoa não vem.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.

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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?
Nomes!!!! Queremos nomes!!!



CAUSA: Mencionei na última semana que o mercado já exigia ações do governo de Bolsonaro, e seguimos assim nesta semana. O mercado está sedento por saber quem serão as figuras-chave desse governo, para assim poder traçar cenários possíveis dentro da tendência ideológica de cada escolhido, bem como a percepção de seu poder de persuasão no legislativo. Fácil, não?

Enquanto isso, os fundamentos externos exaltam fragilidades sobre os emergentes em uma semana com eleições nos EUA, decisão do Fed sobre taxa de juros e revisão para baixo do crescimento econômico da Zona do Euro pelo FMI. Fora isso, não houve nenhum avanço nos últimos dias em relação às condições políticas entre EUA e China ou EUA e Oriente Médio... Ou seja, muito “xabu” por aí...

CONSEQUÊNCIA: Nessa ansiedade do mercado por nomes do novo governo, num ambiente internacional pouco favorável, fica difícil a taxa de câmbio sair do patamar de US$ 3,70/ 3,75. Mesmo que o tom de hoje seja mais positivo, a volatilidade deve ficar alta nos próximos dias.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
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Você perguntou, nós respondemos:

O que é câmbio real?



Caros leitores, a decisão do caro e barato está além da compreensão da simples troca de quantidade de moedas. Por mais que essa frase anterior possa soar filosófica, e talvez eu queira ter mesmo dado esse tom apenas para começar bonito, a ideia aqui é simplificar as coisas. Então, gostaria de dedicar estas linhas para deixar claro que há mais coisas entre a taxa de câmbio e os preços (inflação) do que a vã filosofia dos homens possa imaginar... Pois taxa de câmbio real trata-se do preço relativo entre produtos nacionais e estrangeiros. E, pegando esse gancho, o assunto Paridade do Poder de Compra também ganha espaço neste artigo.

A definição de taxa de câmbio é a referência em valor da moeda nacional com relação à moeda estrangeira. Assim, a taxa de câmbio no Brasil representa o preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira — normalmente o dólar. Quando falamos de taxa de câmbio real, temos que considerar preços, ou seja, a inflação de ambos os países. Por que isso? Porque os países têm reflexos do valor da moeda no preço das mercadorias. É exatamente para neutralizar o efeito da inflação na definição da taxa de câmbio que se utiliza a referência dos preços de uma mesma mercadoria em dois países.

O cálculo de taxa de câmbio real consiste em multiplicar a taxa de câmbio nominal pela inflação estrangeira, e então dividir esse valor pela inflação no mercado nacional. Essa conta nos mostra um índice, o qual podemos considerar uma média história e usá-la como referência para saber os quão valorizados ou desvalorizados estamos (muitos economistas usam desse artifício para fazer projeções da taxa de câmbio — captou a importância?). Eu gosto de usar o período médio de 5 a 7 anos; por exemplo, de 2012 até agora. Considerando essa média histórica, a taxa de câmbio real sugere que até o fim de outubro estaríamos cerca de 14% desvalorizados, tendo alcançado quase 25% durante o auge da campanha eleitoral (a uma taxa nominal de US$/ R$ 4,2) — pouco abaixo do alcançado no pré-impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, em poucas palavras, e analisando apenas este gráfico, poderíamos dizer que há bastante espaço para uma apreciação do real (ou queda da taxa de câmbio), mas sabemos que isso também depende de movimentos de fundamentos macroeconômicos locais e internacionais. Isso seria apenas um indicativo de que estruturalmente há condições de termos uma taxa de câmbio mais baixa que a atual.

Há outras formas de se ter uma percepção além da taxa de câmbio nominal; uma delas é a Paridade do Poder de Compra. Para medir a paridade do poder de compra (PPC) entre dois países, é preciso levar em conta vários fatores como: o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, as diferenças de renda das populações e o custo de vida de cada região.

Contudo, da mesma forma que a taxa de câmbio real, a PPC procura medir o quanto uma moeda pode comprar em termos internacionais, já que bens e serviços têm diferentes preços de um país para outro. Assim, comparam-se os mesmos produtos em dólar em vários países e os EUA. Um ótimo exemplo de PPC é o índice Big Mac, calculado pela revista The Economist¹. A partir da ideia de que o McDonald's se esforça para produzir sanduíches idênticos ao redor do planeta, com os mesmos ingredientes e métodos, a revista usa o preço do sanduíche para avaliar a taxa de câmbio pelo mundo e o poder de compra entre os Estados Unidos e outros países. O ajuste pelo PIB per capita leva à crítica de que a média dos sanduíches deveria ser mais barata nos países pobres do que nos ricos, já que nos primeiros os custos do trabalho são mais baixos.

Segundo a última divulgação, em julho deste ano, o Big Mac no Brasil é um dos mais caros do mundo. Duas análises: a primeira é que o Big Mac no Brasil custa R$ 16,90, versus US$ 5,51 nos EUA, sugerindo uma taxa implícita de US$/ R$ 3,07. Ou seja, assim como apontado pela taxa de câmbio real, o patamar atual de US$/ R$ 3,7 parece estar cerca de 20% desvalorizado — também um indicativo de que estruturalmente há condições de termos uma taxa de câmbio mais baixa que a atual. Uma segunda análise mostra que o Big Mac deveria custar cerca de R$ 13,00, considerando as diferenças de custo de trabalho e PIB per capta entre EUA e Brasil.

Fernanda Consorte
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Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.


¹ O Índice Big Mac — oficialmente Big Mac Index — é um índice calculado sobre o preço do Big Mac em mais de cem países, criado em 1986, e é calculado pela The Economist, com o objetivo de explicar um conceito econômico chamado paridade de poder de compra.

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CAUSA OU CONSEQUÊNCIA? O OVO OU A GALINHA?
There is no free lunch





CAUSA: Há uma expressão antiga no mercado financeiro que diz “não há almoço grátis”. E passado o benefício da dúvida dado ao presidente eleito durante a campanha eleitoral, o mercado começa a cobrar ações, que no momento são as nomeações dos cargos da equipe do novo governo.

Nesse sentido, hoje o mercado reage positivamente pela real possibilidade do juiz Sergio Moro aceitar o convite ao ministério da Justiça, dentro da lógica da agenda anticorrupção do plano de governo de Bolsonaro. (Até agora sabemos que Paulo Guedes será o Ministro da Economia, Onyx Lorenzoni será Ministro da Casa Civil, o general Augusto Heleno ficará à frente do Ministério da Defesa, e o astronauta Marcos Pontes será o ministro da Ciência e Tecnologia).

Além disso, o mercado internacional ajuda com o otimismo sobre a evolução das negociações do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), elevando a busca por ativos de maior risco (ou seja, nós, os emergentes!), e o PMI da China subiu um pouco, para patamares acima de 50 pontos.


CONSEQUÊNCIA: Quanto mais bons nomes o governo anunciar para cargos importantes, mais chances o real tem de se fortalecer — este era o risco positivo que mencionei na última nota. Vamos acompanhando...

 


Fernanda Consorte
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quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.

 


       
       

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