Quais fatores influenciam a taxa de câmbio?

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Quais fatores influenciam a taxa de câmbio?


De todos os temas da macroeconomia, é consenso entre economistas que a taxa de câmbio é o mais difícil. Os analistas teimam em fazer projeções e erram mesmo. Erram feio. Certa vez, calculei a taxa de erro médio do consenso de mercado versus o ocorrido nos últimos 7 anos e vejam: com uma antecedência de 1 ano, o mercado errou em média 45 centavos o resultado da taxa de câmbio. Com 6 meses de antecedência, o erro médio caiu para 0,25 centavos; e alcançou 0,10 centavos com antecedência de 3 meses — valor que, ainda assim, meus amigos, pode fazer muito estrago em um balanço de empresa. Mas quer saber? É superaceitável.

Tudo isso porque, em um regime de taxa de câmbio flutuante como o nosso, os determinantes da taxa de câmbio são muitos, e alguns deles são abstratos. Usualmente, os economistas entendem que três principais fatores são importantes para determinar o patamar da taxa de câmbio de um país, sobretudo os exportadores de commodities. São eles: os preços internacionais das commodities, o diferencial das taxas de juros locais e internacionais e o prêmio de risco do país.

Preços das commodities: há uma correlação inversa entre os preços das commodities – que são decididas no mercado internacional – e as taxas de câmbio de países exportadores desses produtos. A influência dos preços das commodities sobre os termos de troca desses países (relação entre o valor das importações e o valor das exportações) tende a alterar a atratividade dos ativos, impactando a moeda nacional via mudança no fluxo de capitais.

Diferencial das taxas de juros: quanto maior a diferença entre as taxas de juros dos países emergentes às economias maduras, maior será a atração de capital de curto prazo e menor a taxa de câmbio. Basicamente, o racional é que vale a pena correr mais riscos nos países emergentes quando o prêmio dos ganhos (os juros) é muito maior do que aplicar o dinheiro em um país com risco baixo e com baixíssimo retorno — aliás, é por isso que quando há um movimento de queda de taxa de juros no Brasil, combinado a aumento da taxa de juros dos EUA, ocorre o famoso “flight-to-quality”, ou fuga de capital para mercado de maior qualidade e maior segurança.

Risco-país: Diz respeito à possibilidade de mudanças no ambiente de negócios, seja político ou econômico, que impacte negativamente as condições de financiamento do país. Em outras palavras, aqui podemos jogar tudo! Tudo o que for incerteza política ou econômica faz com que aumente o risco-país; tenha, portanto, saída de capital afetando a taxa de câmbio — o inverso é verdadeiro. Vale mencionar que as economias emergentes podem ser impactadas por outras economias emergentes, por efeito contágio.

Em poucas palavras, a taxa de câmbio é definida por fatores locais e internacionais, com pesos que variam conforme a gravidade e incerteza da situação; fora que, no caso brasileiro, o Banco Central tem a prerrogativa de interferir no mercado quando achar que convém — mas deixemos esse tema, também complexo, para um outro momento. Ou seja, não podemos falar sempre que o cenário local é preponderante, como no momento atual, por exemplo. Muitas vezes, o cenário externo fala mais alto. Dessa forma, a taxa de câmbio pode ser resumida como uma variável de percepção de risco. Essa é uma das razões de ser tão volátil e tão difícil de prever. Mas vale opinar, né?

 

 

Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.
       
       

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