O que é câmbio real?

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O que é câmbio real?



Caros leitores, a decisão do caro e barato está além da compreensão da simples troca de quantidade de moedas. Por mais que essa frase anterior possa soar filosófica, e talvez eu queira ter mesmo dado esse tom apenas para começar bonito, a ideia aqui é simplificar as coisas. Então, gostaria de dedicar estas linhas para deixar claro que há mais coisas entre a taxa de câmbio e os preços (inflação) do que a vã filosofia dos homens possa imaginar... Pois taxa de câmbio real trata-se do preço relativo entre produtos nacionais e estrangeiros. E, pegando esse gancho, o assunto Paridade do Poder de Compra também ganha espaço neste artigo.

A definição de taxa de câmbio é a referência em valor da moeda nacional com relação à moeda estrangeira. Assim, a taxa de câmbio no Brasil representa o preço, em moeda nacional, de uma unidade de moeda estrangeira — normalmente o dólar. Quando falamos de taxa de câmbio real, temos que considerar preços, ou seja, a inflação de ambos os países. Por que isso? Porque os países têm reflexos do valor da moeda no preço das mercadorias. É exatamente para neutralizar o efeito da inflação na definição da taxa de câmbio que se utiliza a referência dos preços de uma mesma mercadoria em dois países.

O cálculo de taxa de câmbio real consiste em multiplicar a taxa de câmbio nominal pela inflação estrangeira, e então dividir esse valor pela inflação no mercado nacional. Essa conta nos mostra um índice, o qual podemos considerar uma média história e usá-la como referência para saber os quão valorizados ou desvalorizados estamos (muitos economistas usam desse artifício para fazer projeções da taxa de câmbio — captou a importância?). Eu gosto de usar o período médio de 5 a 7 anos; por exemplo, de 2012 até agora. Considerando essa média histórica, a taxa de câmbio real sugere que até o fim de outubro estaríamos cerca de 14% desvalorizados, tendo alcançado quase 25% durante o auge da campanha eleitoral (a uma taxa nominal de US$/ R$ 4,2) — pouco abaixo do alcançado no pré-impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ou seja, em poucas palavras, e analisando apenas este gráfico, poderíamos dizer que há bastante espaço para uma apreciação do real (ou queda da taxa de câmbio), mas sabemos que isso também depende de movimentos de fundamentos macroeconômicos locais e internacionais. Isso seria apenas um indicativo de que estruturalmente há condições de termos uma taxa de câmbio mais baixa que a atual.

Há outras formas de se ter uma percepção além da taxa de câmbio nominal; uma delas é a Paridade do Poder de Compra. Para medir a paridade do poder de compra (PPC) entre dois países, é preciso levar em conta vários fatores como: o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, as diferenças de renda das populações e o custo de vida de cada região.

Contudo, da mesma forma que a taxa de câmbio real, a PPC procura medir o quanto uma moeda pode comprar em termos internacionais, já que bens e serviços têm diferentes preços de um país para outro. Assim, comparam-se os mesmos produtos em dólar em vários países e os EUA. Um ótimo exemplo de PPC é o índice Big Mac, calculado pela revista The Economist¹. A partir da ideia de que o McDonald's se esforça para produzir sanduíches idênticos ao redor do planeta, com os mesmos ingredientes e métodos, a revista usa o preço do sanduíche para avaliar a taxa de câmbio pelo mundo e o poder de compra entre os Estados Unidos e outros países. O ajuste pelo PIB per capita leva à crítica de que a média dos sanduíches deveria ser mais barata nos países pobres do que nos ricos, já que nos primeiros os custos do trabalho são mais baixos.

Segundo a última divulgação, em julho deste ano, o Big Mac no Brasil é um dos mais caros do mundo. Duas análises: a primeira é que o Big Mac no Brasil custa R$ 16,90, versus US$ 5,51 nos EUA, sugerindo uma taxa implícita de US$/ R$ 3,07. Ou seja, assim como apontado pela taxa de câmbio real, o patamar atual de US$/ R$ 3,7 parece estar cerca de 20% desvalorizado — também um indicativo de que estruturalmente há condições de termos uma taxa de câmbio mais baixa que a atual. Uma segunda análise mostra que o Big Mac deveria custar cerca de R$ 13,00, considerando as diferenças de custo de trabalho e PIB per capta entre EUA e Brasil.

Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.


¹ O Índice Big Mac — oficialmente Big Mac Index — é um índice calculado sobre o preço do Big Mac em mais de cem países, criado em 1986, e é calculado pela The Economist, com o objetivo de explicar um conceito econômico chamado paridade de poder de compra.
       
       

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