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Quais as projeções do mercado para a taxa de câmbio neste ano?



Amigos, já conversamos há seis meses por meio desses artigos, e imagino que já tenham percebido que sou um pouco cética em relação a projeções da taxa de câmbio. Assim, vamos começar citando Delfim Netto, que, em meados de 2009, escreveu em um jornal que “[…] existem três causas que levam à loucura: o amor, a ambição e o estudo das taxas de câmbio”.

Mas, por ossos do oficio, meus colegas economistas fazem suas projeções, assim como eu costumo arriscar uma tendência, olhando o que está ocorrendo lá e cá (como relembrar é viver, sugiro que recorram ao texto em que eu modestamente expliquei quais fatores influenciam a taxa de câmbio, em 24/09/2018:https://www.ourinvest.com.br/analises/interativo/quais-fatores-influenciam-a-taxa-de-cambio).
Essas “previsões” estão guardadas, para quem quiser encontrar, no site do BCB, e lá você pode pedir pela mediana ou média do mercado (são cerca de 190 instituições que alimentam essa fonte). Há também uma segmentação das 5 melhores instituições, ou seja, as que tiveram o menor erro em um determinado período, nomeadas de Ranking TOP 5.

Antes que o brilho lhes salte aos olhos, vale mencionar que o erro absoluto médio desse ranking TOP 5, nos últimos 7 anos, foi de cerca de 16% considerando a projeção com 1 ano de antecedência; 8,0% com 6 meses de antecedência; e de 5,0% com 3 meses de antecedência. Exemplo: se a mediana das projeções das instituições ranqueadas no TOP 5 para 12 meses à frente for de US$/R$ 3,90, historicamente o erro médio sugere que essa taxa pode ser tanto US$/R$ 3,30 como US$/R$ 4,5. Mas olhem, não desanimem não, o matemático Henri Poincaré (1854-1912) dizia que “é muito melhor prever sem certeza do que não prever nada” .

Vamos, então, aos números? Segundo estimativas do BCB, encerradas em 11/jan/19, as instituições brasileiras projetam que a taxa de câmbio encerre 2019 a R$/US$ 3,80; já aquelas ranqueadas pelo TOP 5 projetam R$/US$ 3,90.

Acredito que essa piora em relação ao patamar atual de ~US$/R$ 3,70 esteja ligada ao cenário internacional, uma vez que há uma expectativa de desaceleração do crescimento mundial, liderada pela China, o que fatalmente afetaria a taxa de câmbio dos países emergentes como um todo.
Quando olhamos a trajetória mensal das expectativas, os maiores acertadores acham que teremos um “pico” de taxa de cambio no final de 2019, possivelmente quando o mercado colocar na conta alguma frustração com o governo atual, somada a um cenário internacional pouco auspicioso.

Eu, que estou no time dos otimistas, acho que há espaço para valorização, ou seja, abaixo de US$/R$ 3,70, uma vez que, na minha visão, o atual governo terá oportunidades e condições de avançar em reformas e em esforços no setor de infraestrutura. Isso num ambiente em que as taxas de juros e inflação estão bem ancoradas. Desta forma, o Brasil deve se descolar dos pares emergentes em 2019.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.


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Nosso quiz mostrou que a maioria quer saber quais fatores influenciam a taxa de câmbio. Segue a resposta de nossa estrategista de câmbio, Fernanda Consorte.



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Por que a referência mundial (inclusive para o câmbio) são os EUA?



Poderia começar este texto pela colonização europeia nas Américas, onde os EUA, diferentemente da América do Sul, parecem ter sido colonizados para moradia e não exploração. Na idade contemporânea, poderia dizer que diversos setores da sociedade norte-americana são engajados para tornar o país um ambiente favorável ao capitalismo. Usando como receita básica incentivar a iniciativa privada (ajudando empresários que queriam abrir o próprio negócio, por exemplo) e garantir baixa presença do governo na economia (o mercado seria regido somente pela lei da oferta e da demanda). Mas não sou historiadora, e pelo que sei, até a história vivida tem suas controvérsias; assim, vou me atentar somente aos dados econômicos.

O fato é que os EUA são a grande potência mundial, e os números suportam essa frase. Em 2017, o PIB norte-americano foi de US$ 19,4 trilhões, o PIB per capita de cerca de US$ 60.000 – maior fatia do PIB Mundial, representando quase 25% do total, segundo o Banco Mundial. Só para base de comparação, o Brasil, um país também territorialmente continental, não representa nem 3% do PIB mundial.

Outros dados que suportam seu desenvolvimento econômico são: IDH (índice de desenvolvimento humano, calculado pela ONU) de 0,924, entre os 15 maiores do mundo. O índice de gini é de 41,5, enquanto do Brasil é de 51,3 (mede o grau de concentração de renda em determinado país. Aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos. Varia de zero a cem (alguns apresentam de zero a cem). O valor zero representa a situação de igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda. O valor cem está no extremo oposto, isto é, uma só pessoa detém toda a riqueza).

Além disso, não dá nem para brigar no quesito competitividade. Por exemplo, o ranking mundial de competitividade (140 países), calculado pela Fórum Econômico Mundial em parceria com a Fundação Dom Cabral, que considera principalmente a avaliação de negócios disruptivos, a diversidade da força de trabalho e o estabelecimento de um governo digital. Segundo essa metodologia, os EUA são o país mais competitivo do mundo, destacando-se principalmente em dinamismo empresarial, sistema financeiro e mercado de trabalho. Em seguida vêm Cingapura, Alemanha, Suíça e Japão... e o Brasil está na 72a posição.

Finalmente e mais importante, os EUA têm uma economia estável perante o mundo e, assim, sempre são vistos como uma opção para quem quer investir ou simplesmente proteger o patrimônio. Por isso, quando ocorre um movimento de aversão ao risco, há um movimento de mudança de fluxo de capital para os EUA. O mercado financeiro americano é muito líquido; por exemplo, o giro diário das ações da Apple (que é a maior empresa do mundo) é maior do que o volume negociado por todas as ações da B3, e o mercado acionário norte-americano detém 35% do mundo, enquanto o Brasil responde por apenas 2%. Adicionalmente, além de muito liquido, o mercado financeiro americano tem uma variedade de ativos disponíveis.

A combinação de importância e estabilidade econômica, influência política e com menor risco entre os países com maior liquidez no mercado, proporciona aos EUA serem a referência mundial para vários indicadores financeiros.
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Nota da Autora

Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.



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O que é hedge e swap cambial?



Eis aqui o exemplo de complexidade que deveria ser desmistificada nos ambientes financeiros. Para tanto, vamos começar pelo significado das palavras em português. A palavra hedge em inglês pode ser traduzida pelo substantivo de “cerca/ barreira/ proteção” ou pelo verbo de “limitar/ cercar”. Ou seja, somente pela tradução, já podemos supor que quando falamos em hedge cambial, estamos falando em limitar/proteger o montante de câmbio da operação. Assim, a ideia principal quando fazemos uma operação de hedge cambial é diminuir ao máximo a perda de dinheiro com as variações do dólar – sobre a qual falamos diversas vezes ser muito volátil (ver relatório publicado em 08/out/18, em que discutimos o porquê a taxa de câmbio é tão volátil no Brasil) –, em todas as operações em que usamos o câmbio, como importações, exportações, investimentos no exterior e negociações na bolsa de valores, etc...

Para tanto, usamos artifícios do mercado futuro. Antes que pense em cartomantes e astrologia, o que é inevitável, explico que o “mercado futuro” é aquele em que os agentes estimam como estará a cotação do dólar nos próximos meses, considerando a conjuntura mundial naquele momento. Aquele exemplinho que sempre ajuda a iluminar os pensamentos:

Uma empresa exportadora, fabricante de veículos pesados, recebe um pedido para construir caminhões no valor US$ 10 milhões, mas o pagamento só vai acontecer daqui a 10 meses. Para saber qual será o lucro real dessa venda em reais (R$), seria necessário considerar a variação cambial nesse período.
Se der uma “ziquizira” no governo, e o dólar chegar a US$/R$ 4,20 de novo, essa empresa pode garantir o faturamento de R$ 42 milhões. Mas se todas as reformas forem aprovadas rapidamente e a China voltar a crescer (vai que...) e o dólar for para R$3,00, a receita passará a ser de somente R$ 30 milhões. Para evitar essa adrenalina, a empresa faz um planejamento de Hedge. Ou seja, busca no mercado financeiro interessados em pagar um valor fixo na moeda pelos próximos dez meses. Assim, ela garante o preço de venda, evitando possíveis perdas de dinheiro. Pegou?????

Mas veja, esse mercado é sofisticado e há diversos instrumentos (de derivativos). A combinação desses instrumentos permite a montagem de diversas operações de hedge. Vou citar alguns deles, mas já antecipo que o famoso swap cambial estará na lista:

Opções de compra de dólar (call): Uma opção de compra que garante o direito de comprar um ativo a um preço determinado antecipadamente. Para isso, paga-se uma fração do montante (o prêmio) e o portador pode exercer esse direito até um determinado dia. Se ele não exercer sua opção, perde o valor do prêmio. A vantagem aqui é que essa operação exige menos dinheiro para fazer seu hedge.

Contratos futuros de dólar: São contratos fechados entre um comprador e um vendedor, através da Bolsa de Valores ou bancos. Esses contratos acompanham a oscilação do dólar no mercado à vista. Se o dólar subir, o comprador do contrato vai receber do vendedor o equivalente em reais a essa variação, dia a dia. Quando o contrato vencer, a soma das variações deverá compensar a variação do câmbio. Do mesmo jeito que o anterior, há menos dinheiro envolvido no início da operação, no entanto, esse tipo de hedge tem um custo. A B3 exige que o investidor deposite garantias em dinheiro ou títulos para poder operar, o que eleva a quantidade de dinheiro necessária para se fazer o hedge.

Swap Cambial (olha ele aí!!!!) : Em inglês significa troca, permuta. Assim, indica uma operação pela qual duas empresas concordam em “trocar” dívidas. E é parecido com o exemplo anterior, e equivale uma venda futura de dólares.
Por exemplo, uma importadora (empresa 1) endividada em dólares faz um swap de moedas com um banco (empresa 2): A importadora deve pagar essa dívida ao mercado considerando a variação cambial no período somada a uma determinada taxa de juros. Nesse caso, a importadora está devendo em dólares no exterior (exposta, portanto, a variação cambial), então para zerar o risco dessa exposição, a empresa troca variação cambial por uma taxa de juros em reais junto a um banco no brasil.
O banco tem de pagar o equivalente em dólares ao valor contratado do swap. Se a cotação do dólar subir além do esperado, o aumento da dívida da empresa será coberto pelo que o banco pagará à importadora.

Gostou, né? Quer saber mais? Não é para me gabar não, mas nós aqui, no Banco Ourinvest, somos campeões nesses instrumentos de derivativos. Sugiro nos ligar!
Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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Talvez existam pessoas que tenham o heroísmo (ou a cara de pau?) de fazer projeções com forte grau de convicção para a taxa de câmbio brasileira. Eu, economista de formação, com mais de 10 anos andando nesse mercado de inconstâncias, prefiro dizer que sou capaz de dar opiniões, quiçá direções para essa variável. Humildade posta, eventualmente tomarei a frente para dar opiniões sobre fatos que podem gerar consequências no mercado, tentando desvendar quem vem primeiro: o ovo ou a galinha.








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Como está o fluxo cambial brasileiro?

 



Desde que começamos nossas conversas, enfatizo a dificuldade em prever a taxa de câmbio. Porém, não significa que não é possível entender seus movimentos e sua natureza. Nesse sentido, entender e acompanhar o fluxo cambial é primordial para perceber a tendência da taxa de câmbio, ao menos no curto prazo. O fluxo cambial nos sugere se a moeda tem pontualmente força para valorizar ou desvalorizar, sobretudo na ausência de um fundamento muito específico ou indubitável (quando falo isso, me refiro àquele momento em que praticamente todos os agentes apostariam na mesma posição, dado o peso da circunstância).

 

O fluxo cambial mostra a quantidade de capital ($$$, dindin, grana) que é direcionada para dentro e para fora do país por investidores estrangeiros (volume de divisas externas). Dessa forma, fluxo de capital positivo (mais entrada de dinheiro do que saída) é essencial para as economias emergentes, pois contribui para o aumento de investimentos e para o financiamento de eventuais déficits. Além de sugerir que o investidor estrangeiro está interessado no país. Assim, um fluxo cambial positivo tende a aumentar a quantidade de dólar (a oferta de dólar) no país, diminuindo a pressão compradora, o que faz com que o real tenha uma tendência de apreciação (queda da taxa de câmbio). Por outro lado, fluxo cambial negativo tende a diminuir a oferta de dólar no país, aumentando a pressão compradora, e, portanto, sugere depreciação do real. Ou de forma simples, menor interesse dos investidores estrangeiros pelo país.


Entre janeiro e a primeira dezena de outubro, o fluxo cambial brasileiro está positivo em US$ 20,3 bilhões, com uma concentração forte de entrada líquida de recursos em abril (que somou R$ 14,4bi). Enquanto entre agosto e setembro, no auge das incertezas acerca das eleições presidenciais, tivemos um fluxo cambial negativo de US$ 10,4bi. Falemos um pouco mais...


O fluxo cambial é dividido entre comercial e financeiro, conforme observado no gráfico acima. Sendo o primeiro com movimento mais sutis que o segundo, pois se trata da compra e venda de bens e serviços. Eu, particularmente, gosto de acompanhar o movimento do fluxo cambial financeiro (somatória de IED, investimentos em carteira, investimento em derivados financeiros, ativos de reservas e outros), pois entendo que usualmente ajuda a explicar se a tendência corrente da taxa de câmbio será mantida ou não.

Por exemplo, o fluxo financeiro começou a ficar constantemente negativo a partir dos últimos dias de julho, justamente quando iniciaram as conversas, notícias de campanha eleitoral e instalou-se um nível muito forte de incerteza na economia. E seguiu assim até dia 03/outubro, quando as pesquisas eleitorais passaram a mostrar que havia crescido muito a rejeição ao candidato menos favorável ao mercado. E, não à toa, a taxa de câmbio caiu do patamar de US$/ R$ 4,00. E aqui estamos, com o mês de outubro acumulando um fluxo financeiro positivo de US$ 2,6 bilhões. Vejam, não conseguimos afirmar que a partir dessa informação a taxa de câmbio seguirá caindo, mas podemos sugerir que, com o fluxo atual, não há força depreciativa no mercado, na ausência de fundamento.



Fernanda Consorte
Estrategista de Câmbio
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